brotando do coração

Em meu trabalho estou sempre dizendo que a vida vem em ciclos. Sempre relembrando a todas nós como precisamos aprender a entender esses ciclos e a sentir o movimento que estamos vivendo para que possamos fazer escolhas mais conscientes e para sermos realmente livres.

Nos últimos 7 anos eu estive morrendo. Foi um ciclo longo e dolorido, felizmente não tive nenhuma doença grave nem precisei viver uma experiência de quase morte em um acidente ou algo muito drástico. Mas fui definhando lentamente. Como a mulher foca no conto do livro mulheres que correm com os lobos, fui vendo meus cabelos caírem, meus olhos passaram a precisar de ajuda para enxergar novamente, meu corpo perder o brilho e não mais responder aos comandos com a mesma prontidão. Foram 7 anos de um ciclo em que eu lutei com todas as minhas forças para não morrer, me agarrando a tudo que eu achava que era, que deveria ser ou que esperavam que eu fosse. E quanto mais eu tentava me segurar, mas era levada por ondas gigantescas de sofrimento.

Demorei para compreender que toda essa resistência estava me impedindo de fechar o ciclo. Mas não me culpo por isso. Abrir mão de tudo era mais do que eu era capaz de fazer até então. Eu não confiava em mim o suficiente para pular no vazio. Mas a gente é para o que nasce, e eu estava finalmente preparada para abaixar as armar e parar de lutar. Não porque fui uma grande guerreira, mas porque não tinha mais nenhuma força e o restava era apenas me entregar.

Escrevi sobre isso na semana passada ao falar sobre como cansei de viver em guerra e agora quero paz. O que eu não imaginava era que ao aperta o botão tornar pública a minha escolha, eu estava dando início ao meu trabalho de parto.

E como todo trabalho de parto eu precisei passar pela dor profunda de aceitar toda a transformação que estava acontecendo no meu corpo. Uma verdadeira catarse. um processo absolutamente profundo de entrega em que literalmente abri o meu peito para que de lá brotasse o amor.

Eu acabei de completar 42 anos e escolhi renascer.

Escolhi aceitar a minha verdadeira pele e vesti-la novamente quase como se fosse a primeira vez. Porque não me recordo de quando nem onde a deixei.

Eu escolhi renascer. Porque houve muitos momentos em que não acreditava que essa opção existia. E muito outros em que não via sentido em viver a vida daquele jeito.

Mas a alma segue intacta. E, se não atrapalharmos simplesmente permitindo que ela ocupe o seu lugar, podemos nascer quantas vezes for preciso.

Não faz nem 7 dias que conseguir tomar consciência desse processo. Minha pele ainda está cicatrizando. Afinal ninguém consegue se recuperar de 42 anos de lutas da noite para o dia. E eu demorei 7 anos para conseguir enxergar a imagem completa desse processo de transformação que hoje está gravado no meu corpo na forma de uma magnífica tatuagem.

Aqui está a imagem da minha nova pele. Assumo completamente quem sou e o que por tanto tempo guardei e escondi por medo de não ser aceita, agora está estampado no meu peito e eu carrego com muito amor pela mulher que aprendi e sigo aprendendo a ser a cada passo do caminho.

Para terminar preciso dizer que não fiz nada disso sozinha. Eu contei com um verdadeiro clã de mulheres que me ampararam, acolheram, incentivaram, trabalharam ativamente com suas artes curativas, estiveram presentes, acreditaram e foram testemunhas.

E foram muitas amigas, curadoras, terapeutas, psicólogas, bruxas, parteiras, tatuadoras e a lista continua… Sem elas para espelhar através de seus olhos a beleza que viam em mim e me ajudar a enxergar por mim mesma a minha luz, nada disso seria possível. Eu tenho a sorte divina de estar rodeada das mais poderosas heroínas.

Então o texto de hoje é um agradecimento a todas as mulheres que estão sempre comigo e você é uma delas. Então muito obrigada por tirar um tempo da sua vida para ler o que os meus relatos e por acompanhar o meu trabalho.

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